Foto: Tiago Lima

Projétil Billy the Kid

Tiago Ribeiro (BA)

Mostra Artística

GOETHE-INSTITUT

24 e 25 de agosto (quinta e sexta), 19h | Entrada franca

Este jogo tem como “ponto de partida” uma residência ocorrida no Festival de Dança de Itacaré de 2014 com integrantes de um quilombo urbano no sul da Bahia. O “Projétil Billy the Kid” é uma continuidade deste processo, também em forma de residência artística, realizado na garagem da Biblioteca Pública do Estado da Bahia, em Salvador, 2015.

A primeira parte, “Túmulo dos lutadores”, é uma notação coreográfica baseada na alteridade como exercício e no desmanche como constituição poética. Há pressupostos conhecidos por todos os jogadores (j), mas a posição que cada um toma é sempre imprevista. A propriocepção – mapeamento espaço-corporal – é a qualidade sensível que torna possível a manutenção da experiência coletiva.

A segunda parte, “Anjos do Pântano”, é um bang-bang livremente inspirado no texto “O assassino desinteressado Bill Harrigan”, de Jorge Luís Borges. Com dramaturgia aberta, exploram-se maneiras de cair morto, morrendo, espreitar, matar sozinho e se juntar para matar. O corpo em questão é o que o sociólogo Richard Sennett chama de “estado de espírito subjuntivo” – o “talvez”, “pode ser”. Busca-se a construção de estados corporais situados na iminência da igual possibilidade de morrer e de matar.

O procedimento metodológico é a repetição do jogo ao longo dos encontros, de forma a impregnar um hábito. Um jogo onde não há protagonistas, nem vencedores. À medida que incorpora os pressupostos, o (j) passa a questionar o hábito adquirido para então reimpregnar-se de um novo, em função do seu agenciamento com o corpo coletivo. A fluência deste novo hábito é o que Sennet chama de ritmo, ritmo coletivo, possível pela liberdade na experiência de criação que ocorre quando há vínculo dentro do dissenso, decorrente do poder de negociação com a alteridade.