{"id":188,"date":"2022-07-11T22:59:44","date_gmt":"2022-07-12T01:59:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.icencontrodeartes.com.br\/ic15\/?p=188"},"modified":"2022-08-17T17:49:31","modified_gmt":"2022-08-17T20:49:31","slug":"partida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.icencontrodeartes.com.br\/ic15\/partida\/","title":{"rendered":"Partida"},"content":{"rendered":"<p>O ano era 1999. Uma mulher de 74 anos foi ao teatro assistir ao espet\u00e1culo \u201cPartido\u201d, adapta\u00e7\u00e3o do Grupo Galp\u00e3o para o romance \u201cO Visconde Partido ao Meio\u201d, do escritor italiano Italo Calvino. Durante a apresenta\u00e7\u00e3o, essa mulher tem uma epifania e decide escrever uma carta para o seu amante, um homem 30 anos mais jovem, terminando o relacionamento. A carta nunca foi enviada e ficou guardada por 20 anos, at\u00e9 que a filha a encontrou em uma caixa junto com outras lembran\u00e7as da m\u00e3e.<\/p>\n<p>Essa carta real inspirou as atrizes Denise Stutz e Inez Viana a criarem \u201cPartida\u201d, com dire\u00e7\u00e3o de Debora Lamm. Depois de estrear como uma pe\u00e7a virtual, \u201cPartida\u201d agora ganha uma vers\u00e3o presencial. O teatro \u00e9 palco para que Denise e Inez assistam junto com o p\u00fablico \u00e0 pe\u00e7a em v\u00eddeo, numa esp\u00e9cie de comunh\u00e3o teatral que coloca as artistas e os espectadores em di\u00e1logo ao longo da sess\u00e3o. \u201cO espet\u00e1culo agora \u00e9 um desdobramento daquela primeira obra. Vamos nos relacionar com a plateia e assistir ao vivo \u00e0 sua rea\u00e7\u00e3o durante a exibi\u00e7\u00e3o. Em cena, manipulamos luz, som e o v\u00eddeo\u201d, explica Inez.<\/p>\n<p>Na tal carta, a mulher escreve sobre seu relacionamento, ang\u00fastias e desejos, entrela\u00e7ando a sua vida com os temas da obra de Italo Calvino, em uma mistura de realidade e dramaturgia, entre a sua vida com o amante e a vida do personagem do Visconde.<\/p>\n<p>\u201cApesar de ser uma carta de amor, tamb\u00e9m fala de morte e incompletude. \u00c9 muito po\u00e9tica\u201d, diz Inez, que construiu a dramaturgia a partir da carta, de refer\u00eancias culturais do final dos anos 1990 e da hist\u00f3ria do Visconde dividido ao meio por uma bala de canh\u00e3o, criado por Calvino. A obra \u00e9 uma alegoria sobre as dualidades do humano, com suas puls\u00f5es de vida e de morte. Sentimentos que foram despertados na mulher e provocaram o rompimento com o amado. \u201cA pe\u00e7a levanta uma s\u00e9rie de quest\u00f5es sobre essa mulher. Por que ela nunca enviou a carta? Em qual momento do espet\u00e1culo do Galp\u00e3o ela decide terminar o seu relacionamento?\u201d, pergunta Denise.<\/p>\n<p>Filmada no Espa\u00e7o Cultural S\u00e9rgio Porto em maio, a montagem carrega uma metalinguagem acentuada. A op\u00e7\u00e3o por filmar a pe\u00e7a numa plateia de teatro com a c\u00e2mera parada, sem cortes, faz alus\u00e3o \u00e0s in\u00fameras lives que surgiram nos \u00faltimos anos por conta da pandemia da Covid-19. \u201cO jogo entre elas, de escrever essa pe\u00e7a ao vivo, \u00e9 mais arriscado, assim como o pr\u00f3prio teatro. Uma interse\u00e7\u00e3o entre o teatro e as lives, que \u00e9 um forte retrato da nossa \u00e9poca\u201d, diz a diretora Debora Lamm.<\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica:<\/strong><br \/>\nIdealiza\u00e7\u00e3o: Denise Stutz<br \/>\nDramaturgia: Inez Viana<br \/>\nDire\u00e7\u00e3o: Debora Lamm<br \/>\nInt\u00e9rpretes: Denise Stutz e Inez Viana<br \/>\nAssistente de dire\u00e7\u00e3o: Junior Dantas<br \/>\nSom: Bem Medeiros<br \/>\nLuz: Daniel Uryon<br \/>\nDire\u00e7\u00e3o de Produ\u00e7\u00e3o: Bem Medeiros<\/p>\n<p><strong>Sobre Denise Stutz<\/strong><br \/>\nEm 1975, junto com outros dez bailarinos, fundou o Grupo Corpo. Trabalhou com Lia Rodrigues como bailarina, professora e assistente de dire\u00e7\u00e3o. Foi professora da Escola Angel Vianna durante seis anos. Em 2003, come\u00e7a a desenvolver seu trabalho solo, se apresentando nas principais capitais do Brasil, Fran\u00e7a, Espanha, Portugal, \u00c1frica e Austr\u00e1lia. Seus tr\u00eas trabalhos solos foram apontados pelo jornal O Globo como um dos dez melhores espet\u00e1culos no Rio nos anos de 2004 (\u201cDeCor\u201d), 2013 (\u201cFinita\u201d), 2015 (\u201cEntreVer\u201d). Seu mais recente trabalho, chamado \u201cS\u00f3\u201d, foi considerado destaque tamb\u00e9m pela cr\u00edtica do jornal O Globo na programa\u00e7\u00e3o do Festival Panorama da Dan\u00e7a (2018). Trabalhou com o diretor Luiz Fernando Carvalho como core\u00f3grafa nas miniss\u00e9ries: \u201cHoje \u00e9 Dia de Maria\u201d, \u201cCapitu\u201d e \u201cClarice S\u00f3 para Mulheres\u201d, e fez parte da equipe para a prepara\u00e7\u00e3o dos atores da novela \u201cVelho Chico\u201d (TV Globo). Foi duas vezes selecionada pelo projeto Rumos Ita\u00fa Cultural com os trabalhos \u201cJusto uma imagem\u201d e \u201cEntreVer\u201d.<\/p>\n<p><strong>Sobre Inez Viana<\/strong><br \/>\nA carioca Inez Viana \u00e9 atriz, diretora teatral e dramaturga, com p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Dire\u00e7\u00e3o Art\u00edstica, pelo Instituto CAL RJ. Desde 2009, dirigiu 16 pe\u00e7as e recebeu diversos pr\u00eamios e indica\u00e7\u00f5es de melhor dire\u00e7\u00e3o, como Pr\u00eamio Shell, APTR, Quest\u00e3o de Cr\u00edtica, APCA, Pr\u00eamio Contigo e FITA. Dirigiu in\u00fameros shows, com artistas como Paulinho da Viola, Hamilton de Holanda, Soraya Ravenle, Marcos Sacramento, Vidal Farias, Pedro Miranda, Tuca Andrada, Beatriz Rabello, entre outros. Em 2009, fundou a Cia. Omond\u00c9, tendo oito pe\u00e7as montadas com sua dire\u00e7\u00e3o: \u201cAuto de Jo\u00e3o da Cruz\u201d, de Ariano Suassuna (2020); \u201cA Mentira\u201d, de Nelson Rodrigues (2018); \u201cMata Teu Pai\u201d, de Grace Pass\u00f4 (2017); \u201cOs Inadequados\u201d, cria\u00e7\u00e3o coletiva Cia. Omond\u00c9 (2015); \u201cInf\u00e2ncia, Tiros e Plumas\u201d, de J\u00f4 Bilac (2014); \u201cNem Mesmo Todo o Oceano\u201d, de Alcione Ara\u00fajo (2013); \u201cOs Mamutes\u201d, de J\u00f4 Bilac (2012); e \u201cAs Conchambran\u00e7as de Quaderna\u201d, de Ariano Suassuna (2009).<\/p>\n<p><strong>Sobre Debora Lamm<\/strong><br \/>\nAtriz e diretora teatral, cofundadora da Cia. Omond\u00c9. Com 23 anos de carreira, j\u00e1 participou como atriz de mais de 20 espet\u00e1culos teatrais, mais de dez filmes, sete s\u00e9ries de TV e cinco novelas. Entre os seus trabalhos mais recentes, est\u00e3o as pe\u00e7as \u201cA Ponte\u201d, de Daniel MacIvor, dire\u00e7\u00e3o de Adriano Guimar\u00e3es (2018), \u201cMata Teu Pai\u201d, \u201cFatal\u201d, \u201cEl P\u00e2nico\u201d, \u201cInf\u00e2ncia, Tiros e Plumas\u201d, \u201cCock Briga de Galo\u201d, \u201cMaravilhoso\u201d, a s\u00e9rie \u201cO Zorra\u201d, da TV Globo, e os filmes \u201cChocante\u201d, \u201cComo \u00e9 Cruel Viver Assim\u201d e \u201cUm Homem S\u00f3\u201d. Como diretora, dirigiu sete espet\u00e1culos, entre eles \u201cO Abacaxi\u201d (2017), \u201cSuelen Nara Ian\u201d (2019), \u201cLtda\u201d (2018), \u201cO Palha\u00e7o da Guerra\u201d (2014) e \u201cPedro Malazarte e a Arara Gigante\u201d (2014). Como atriz, foi indicada ao Pr\u00eamio APTR e ao Quest\u00e3o de Cr\u00edtica com o espet\u00e1culo \u201cOs Mamutes\u201d, de J\u00f4 Bilac e dire\u00e7\u00e3o de Inez Viana, que tamb\u00e9m lhe rendeu o pr\u00eamio FITA de Teatro na categoria melhor atriz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano era 1999. Uma mulher de 74 anos foi ao teatro assistir ao espet\u00e1culo \u201cPartido\u201d, adapta\u00e7\u00e3o do Grupo Galp\u00e3o para o romance \u201cO Visconde Partido ao Meio\u201d, do escritor italiano Italo Calvino. 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