Salvador

CHUQUICHINCHAY – La existencia de la androginia en los andes

Isaac Ensueño Erazo Araujo (COL)

27/8

18h30

Espaço Cultural da Barroquinha

CHUQUICHINCHAY – La existencia de la androginia en los andes” é uma performance que conta a história da existência de seres andróginos do Império Inca, chamados Qariwarmis. Esta palavra vem do quéchua (importante família de línguas indígenas da América do Sul): Qari = homem, Warmis = mulher. Atualmente, a história desses seres e tudo o que os envolve é desconhecida pelas comunidades indígenas e para a maioria das pessoas pertencentes à comunidade LGBTQIAPN+ de Abya Yala – nome dado ao continente americano pelo povo originário Kuna antes da chegada dos colonizadores europeus.

Durante o período colonial, com a chegada dos espanhóis e a imposição do catolicismo, esses seres foram submetidos à extinção, considerados demoníacos, aberrações da natureza, pecadores. Com seus direitos violados, foram submetidos a violência, torturas, massacres e assassinatos. Como consequência, todo o seu contexto histórico e cosmogonia foram apagados da visão do mundo.

Além disso, existem mitos e lendas de diferentes comunidades indígenas que falam da existência de divindades andróginas, como os criadores do mundo e do cosmos, bem como divindades protetoras que só poderiam ser invocadas por esses seres duais. Uma delas é a Chuquichinchay – felino dançante, divindade da água, patrono dos povos indígenas de “dois gêneros”. Esta figura reverenciada tinha suas huascas, ou assistentes rituais: indivíduos do “terceiro gênero”, vitais nas cerimônias andinas. Um fundamento ancestral e espiritual que confronta uma sociedade que fere e assassina corpos diversos.

CHUQUICHINCHAY – La existencia de la androginia en los andes” compartilha essas histórias a partir dos sentimentos e da experiência vivida pela artista trans e indígena Quillasinga, num contexto de reafirmação étnica e espiritual. Uma cerimônia transancestral e de purificação, com a participação de dois seres Qariwarmis – Quillasinga e Ishma –, resgatados como xamãs ou oficiantes transgêneros em sua conexão com a divindade Chuquichinchay, que tem seu mito narrado e representado. Uma mandala é construída no espaço, feita com plantas medicinais, flores e sementes do território, utilizando símbolos que representam a dualidade.

O público é convidado a prestar homenagem a pessoas trans que já partiram, nomeando-as para trazer sua presença espiritual ao espaço público. Um chamado para abraçar as ancestralidades e as existências trans, tendo o ato de reparação histórica como símbolo do cuidado com o luto e a memória coletiva, transformando o esquecimento em uma cena de honra e respeito. Uma dramaturgia de autocuidado e cuidado transgeracional, essencial para corpos que foram historicamente violados.

A presença desta obra no 18º IC Encontro de Artes resulta de convocatória internacional realizada com o apoio do Programa Ibercena – fundo que estimula a circulação e difusão das artes cênicas no espaço cultural ibero-americano –, realizado no Brasil pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) e Ministério da Cultura (MinC).

SOBRE O ARTISTA

Nascido em 1992 ao pé do vulcão Galeras e protegido pelas águas do Lago Mamá Cocha, no distrito de Encano, Isaac Ensueño Erazo Araujo é mestre em Artes Visuais pela Universidade de Nariño. Seu espírito foi forjado na sabedoria ancestral da terra que viu seu nascimento. Artista visual, gestor cultural, facilitador de oficinas e músico autodidata, ele se identifica como Qariwarmi Quillasinga, uma alma que incorpora a dualidade sagrada como um ser transmasculino. Seu trabalho é uma ponte entre o passado e o presente de seres de dois espíritos. Desenvolve projeto de pesquisa-criação cujo propósito é revelar a presença sutil e poderosa da androginia nos Andes, lembrando-nos que a diversidade não é uma novidade, mas uma raiz profunda de nossa herança.

FICHA TÉCNICA

Criação e performance: Isaac Ensueño Erazo Araujo
Performance: Sandra Aka Polisha, Oshnur e Bitxy Saavedra

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