Salvador

Manifesto Transpofágico

Renata Carvalho (SP)

29/8

20h

Cineteatro 2 de Julho

“Hoje eu resolvi me vestir com a minha própria pele. O meu corpo travesti”. Renata Carvalho “se veste” com seu próprio corpo para narrar a historicidade da sua corporeidade. Se alimenta da sua “transcestralidade”. Come-a, digere-a. Uma transpofagia. O Corpo Travesti como um experimento, uma cobaia. Um manifesto de um Corpo Travesti. Letreiro pisca TRAVESTI. TRAVESTI. TRAVESTI.

“Manifesto Transpofágico” é a continuidade da pesquisa cênica de Renata Carvalho, cuja transpofagia consiste em se alimentar da sua transcestralidade, digerindo-a e devolvendo-a em arte e/ou educação. Neste espetáculo, ela convida o público a olhar o seu corpo travesti, incansavelmente, e nos apresenta a sua historicidade e construção: “De certa forma, eu fiquei grávida de mim mesma. Eu me pari”. Renata fala baixo, pausada e ao microfone para “acalmar os olhos e os ouvidos cisgêneros” ao verem ou ouvirem a palavra travesti, repetida e iluminada diversas vezes. E pergunta: “Alguém quer me tocar?”. Em conversa com a plateia, expõe questionamentos pessoais e provoca reflexões sobre temas como cisgeneridade e passabilidade.

SOBRE A ARTISTA

No teatro desde 1996, comemorando seus 30 anos de carreira, Renata Carvalho é artista, cientista social, transpóloga e ativista dos direitos humanos e LGBTs, com foco nas pessoas trans e travestis. Estuda corpos trans/travesti desde 2007, mesmo ano do seu percebimento travesti. Trabalhou como APV (agente de prevenção voluntária) pela Secretaria Municipal de Saúde de Santos, convivendo com travestis e mulheres trans na prostituição por 11 anos. Inicialmente, seu estudo era mais voltado para os campos da saúde e da política, mas, aos poucos, passou a estudar e recolher histórias, biografias, reportagens, artigos, publicações acadêmicas e produções artísticas com a temática trans/travestis, assim como temas interseccionais. Assim, ela compôs sua Transpologia, que denuncia a construção social, midiática, patológica, religiosa, criminal e hipersexualizante que permeia o imaginário do senso comum sobre pessoas trans/travestis. Em paralelo, percebendo que a feminilidade do seu corpo dificultava sua presença nos palcos, Renata ficou dez anos atuando estritamente na direção teatral. Em 2012, estreou como atriz no solo “Dentro de mim mora outra”, onde contava sua vida e travestilidade: primeira vez que colocou seu corpo como objeto de pesquisa e o debateu em cena, o que permeia toda a sua produção artística. Em 2017, fundou o MONART – Movimento Nacional de Artistas Trans e o Coletivo T, primeiro coletivo artístico brasileiro formado integralmente por artistas trans. 

FICHA TÉCNICA

Dramaturgia e atuação: Renata Carvalho
Direção: Luiz Fernando Marques (Lubi)
Luz: Wagner Antônio
Video art: Cecília Lucchesi
Operação e adaptação de luz: Juliana Augusta
Produção: Corpo Rastreado
Coprodução: Risco Festival, MITsp e Corpo Rastreado
Difusão: Corpo a Fora e FarOFFa

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